O casamento da princesa

As festividades imperiais no Brasil eram efusivamente comemoradas em todos os rincões do território nacional. Aniversários, nascimentos, batizados e casamentos de membros da realeza eram festejados por toda a população, mesmo a mais humilde, mesmo a de excluídos. Da Hiléia Amazônica, passando pelos campos selvagens do Brasil Central, pelas zonas litorâneas mais habitadas e até às ermas caatingas do Nordeste, toda a população vivia uma euforia nestes dias especiais.

A Família Imperial simbolizava os bons costumes, a estabilidade da nação, o direito divino o poder político. Encarnava a moralidade, o progresso, o porvir e a esperança. Todos comemoravam, mas nem todos sabiam o porquê...Para que a memória não faltasse ao povo mais inculto nestas horas solenes, haviam os implacáveis ofícios reais, solenemente editados por todos os recantos do Império...

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FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA. DA ESQUERDA PARA A DIREITA: IMPERATRIZ TERESA CRISTINA, D. ANTÔNIO, PRINCESA ISABEL, D. PEDRO II, D. PEDRO AUGUSTO, D. LUÍS, CONDE D’EU E PEDRO DE ALCÂNTARA. FOTO DE 1888, POR OTTO HEES.

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Em Piracuruca-PI ocorreram episódios importantes na luta pela independência do Brasil

Dia 22 de janeiro, A cidade de Piracuruca-PI, localizada a cerca de 196km ao norte da Capital Teresina, comemora um acontecimento importante ocorrido no adro da Igreja Matriz de N. S. do Carmo, nessa data em 1823 o parnaibano Leonardo das Dores Castelo Branco acompanhando de um contingente de 600 combatentes tomou a cidade e proclamou a Independência do Piauí em face de Portugal. 

Esse fato está inserido dentro de um contexto histórico que culminou com a Batalha do Jenipapo em Campo Maior, ocorrida em 13 de março do mesmo ano, um outro evento importante ocorrido em terras piracuruquense foi em 10 de março, ao passar por Piracuruca, vindos de Parnaíba, as tropas do sargento-mor português João José da Cunha Fidié encontrou um grupo de independentes às margens da lagoa do jacaré ocorrendo então um combate que foi um prelúdio da grande batalha de Campo Maior que ocorreria 3 dias depois.


LAGOA DO JACARÉ, LOCAL ONDE HOUVE O COMBATE 3 DIAS ANTES DA GRANDE BATALHA DO JENIPAPO EM CAMPO MAIOR-PI


O governo do Piauí decretou o 22 de janeiro uma nova data magna e cívica para perpetuar a lembrança desse episódio; o reconhecimento dessa data por parte do Governo é fruto de uma luta de piracuruquenses comprometidos com a memória de sua terra, dentre eles cito os polivalentes Iran Machado e Jarbas Avelino.

Segue trecho da proclamação de Leonardo das Dores:

"Que vos falta, pois, amados irmãos? Que vos impede os passos? Que vos prende a língua?

Ai! Gritai comigo:

Viva nossa santa religião!

Viva a futura Constituição Brasiliense!

Viva a D. Pedro I, Imperador Constitucional do Brasil e seu Perpétuo Defensor!

Viva a nossa santa Independência!

Vivam todos os Brasileiros honrados, briosos e intrépido!"

 

Quartel de Piracuruca, 22 de janeiro de 1823.

Aderiu, pois, Piracuruca, à Independência, a 22 de janeiro, antes do pronunciamento da capital.

Lampião esteve no Piauí?

Não há brasileiro que nunca tenha ouvido falar de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (1898-1938), o cangaceiro pernambucano que fez tremer os sertões nordestinos entre os anos 1920 e 1938. Sua vida se confunde com a lenda, que brotou notadamente com sua morte em 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe.

Acusado de saques, assassinatos, torturas e estupros, a verdade é que nem tudo atribuído de nefasto a Virgulino foi praticado por ele, mas sim pelas famigeradas volantes policiais que o perseguiam, e eram compostas de homens tão rudes e violentos quanto os cangaceiros.

Também todo mundo sabe que apenas em dois estados nordestinos nunca o rei do cangaço pôs os pés: Piauí e Maranhão. 

Para o Piauí, Lampião jamais iria primeiro porque lhe era terra desconhecida e segundo porque era o Estado mais pobre, entre os pobres do nordeste (rdopombal.blogspot.com.br).

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  LAMPIÃO E MARIA BONITA. REPRODUÇÃO. 

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O Francia do Piauí

Um encontro histórico interessantíssimo ocorreu na antiga capital do Piauí, Oeiras, na manhã do dia 12 de março de 1839. Algo que quebrou a monotonia da pequena e sonolenta cidade, a velha e conservadora urbe. Um fleumático médico-cirurgião e naturalista britânico (escocês), em pesquisas botânicas pelo Brasil, George Gardner (1812-1849), que percorreu o Brasil de 1836 a 1841, reuniu-se com o poderosíssimo presidente da província do Piauí, Manuel de Sousa Martins, o visconde de Parnaíba.

O visconde de Parnaíba, Manuel de Sousa Martins (1767-1856) era filho do português de igual nome e de Dona Ana Rodrigues de Santana. Nasceu na fazenda Serra Vermelha, em terras da antiga Oeiras, e faleceu em avançada idade.

“Né” de Sousa (seu apelido familiar) tornou-se um hábil vaqueiro e negociante esperto e ativo. Assentou praça como soldado raso, passou a furriel (posto militar entre cabo e sargento) da Quinta Companhia de Regimento de Cavalaria de Milícias e tornou-se alferes em 1804. Rapidamente ascendeu aos maiores postos; em 1812 era coronel agregado; promovido a brigadeiro, reformou-se a pedido, sem soldo, em 1820.

Vejamos o que diz o historiador piauiense Esmaragdo de Freitas (1887- 1946):

“As honrarias reais ou imperiais, com que foi distinguido, começaram com o Hábito de Cristo (1811). Em seguida foi armado cavaleiro dessa mesma ordem (de que seria comendador em 1830), na matriz de N. S. da Vitória, pelo governador Baltazar de Sousa Botelho de Vasconcelos (1814). Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1823, logo no ano seguinte era elevado à dignatário e feito fidalgo cavaleiro da Casa Imperial. Seu título de Barão data de 3 de junho de 1825; o de Visconde - com honras de grandeza - de 26 de julho de 1841.”

Como se percebe, o histórico hierárquico de Né de Sousa era impressionante. Ocupou ainda por muitos anos o cargo de tesoureiro geral da Junta Real da Fazenda. Participou, como vice-presidente, da junta administrativa que sucedeu a Elias José de Carvalho em 1831.

No dia 24 de janeiro de 1823, apoiado pelo irmão e tenente-coronel Joaquim de Sousa Martins, o visconde proclamou a adesão do Piauí à Independência do Brasil.

Governou a Província do Piauí por longos 20 anos, salvo alguns curtos períodos, de 1823 a 1843. 

Ainda jovem, casou-se com sua prima Josefa Maria dos Santos. Por viuvez, contraiu segundas núpcias aos setenta e sete anos com a viúva Maria Benedita Dantas. De seu primeiro casamento deixou três filhos. Do segundo, nenhum. Ignoram-se quantas dezenas de filhos bastardos gerou. Deu, porém, boa educação para muitos destes, alguns dos quais alcançaram importantes cargos públicos.

Faleceu em 20 de fevereiro de 1856, sendo sepultado junto ao altar-mor da igreja-matriz de Oeiras.

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DESENHO ANTIGO DO VISCONDE

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A chapada do Bidoca

Em Piracuruca, a Chapada do Bidoca, é um cenário localizado às margens da BR- 343 à cerca de 30km no sentido (Piracuruca-Parnaíba), é composto de uma capela, um cemitério e das ruínas de um antigo casarão de pedra.


CENÁRIO DA CHAPADA DO BIDOCA

 


RUÍNAS DO CASARÃO DE PEDRA

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