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Artigos

Primórdios da iluminação elétrica em Teresina

Seria inimaginável nos vermos hoje prescindindo da energia elétrica, presente em todas as áreas da vida social e econômica das populações.  O conforto e produção moderna só são possíveis graças ao domínio desta extraordinária forma de energia, desde o final do século XIX.

Claro que nem sempre foi assim. Houve tempos, digamos, bastante turvos..... Segundo top7ranking.openbrasil.org até por volta de 1880, todas as pessoas do mundo viviam sem eletricidade. As indústrias tinham motores que funcionavam com máquinas a vapor, assim como as ferrovias. Dormia-se cedo e, se queriam sair durante a noite, as pessoas passeavam pelas ruas e praças das cidades, a pé mesmo, fossem ricas ou pobres, onde havia a iluminação da lua cheia em alguns dias e alguns pontos onde tochas – e depois a iluminação a gás, querosene ou óleo de baleia . Na iluminação pública usavam-se os lampiões nas ruas e era um trabalho tão demorado que, quando o encarregado terminava de acender o último lampião, já iniciava o desligamento dos primeiros, pois o dia já amanhecia.

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ANTES DA ENERGIA ELÉTRICA, A ILUMINAÇÃO NOTURNA ERA À BASE DO FOGO DE VELAS E LAMPIÕES QUE FUNCIONAVAM COM QUEROSENE. QUANDO O DIA ACABAVA, HAVIA SEMPRE ALGUÉM QUE SAÍA PELAS RUAS ACENDENDO OS POSTES. FONTE: HTTP://TOP7RANKING.OPENBRASIL.ORG/2014/03/CURIOSIDADE-7-PROFISSOES-PECULIARES-QUE.HTML.


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NAS RESIDÊNCIAS ERAM IMPRESCINDÍVEIS OS LAMPIÕES A QUEROSENE. FONTE: PT.ALIEXPRESS.COM

A iluminação pré-elétrica em Teresina

Aqui no Piauí, mesmo na Capital, fatores econômicos e sociais de atraso limitaram muito os serviços públicos de iluminação.

Já em 1865 os jornais publicavam as despesas do Governo Provincial sobre a iluminação de dias nacionais, festivos e comemorativos. Era uma iluminação passageira, onde, frente à Câmara, ou Assembleia ou Palácio do Governo, etc., eram colocados lampiões nas cercanias para iluminação apenas naquele evento. Havia verbas específicas para este tipo de serviços, prestados por particulares.

Segundo o Jornal A Imprensa, de 08 de setembro de 1870, no dia 03 daquele mês, às 06 horas da manhã o vapor Piauhy ancorou na rampa do rio Parnaíba em Teresina e dele desembarcaram o Capitão João Lustosa da Cunha, que vinha comandando o contingente de voluntários piauienses de volta da Guerra do Paraguai. Houve grande clamor e festas na cidade.  Após muitas homenagens, foguetaria e aplausos, à noite houve uma passeata nas ruas da Cidade, que estava toda iluminada. Os habitantes da Praça Saraiva e Rua São José (hoje Félix Pacheco) prepararam uma rica e deslumbrante iluminação que esteve brilhante, segundo escreveram.

A iluminação provisória e localizada era deficitária e pobre, mesmo para os padrões do teresinense daquelas épocas. Assim o jornal teresinense A Imprensa, de 22 de setembro de 1871 descreve a tristeza das comemorações oficiais do dia 07 de setembro, comandadas pelo presidente da Província Manoel do Rego Barros Sousa Leão (1840-1882):

Os festejos que o Sr. presidente da Província Dr. Manoel do Rego fez nesse dia exprimem perfeitamente o estado lastimoso do país. Uma iluminação de velas de carnaúba em seu palácio e iguais nas repartições...

Durante muito tempo se tentou os chamados ensaios de iluminação, com a implantação dos postes e lampiões pelo Poder Público e a administração do sistema de iluminação por empresários, através de contratos. A maior parte destas tentativas esbarrou em problemas técnicos, financeiros e de logística.

Segundo Carvalho (2013) em 1867 o presidente da Província Adelino Antônio de Luna Freire (1829-?) defendeu a implantação de um ensaio de iluminação pública, tomando como ponto de partida a Praça da Constituição, depois chamada Praça Marechal Deodoro. Inicialmente seriam instalados sete lampiões a querosene na Praça e, para toda a Cidade seriam 70. No ano seguinte o projeto ainda hão havia sido posto em prática.

Em 1867, a Igreja de Nossa Senhora das Dores – depois elevada a Catedral – é concluída e, no mesmo ano, a cidade ganhou seu primeiro sistema de iluminação pública (restrito à Praça), dispondo de seis combustores de querosene sobre postes de madeira, ampliado em 1882. 

Na Ata da 5ª Sessão Ordinária da Assembleia Provincial do dia 25 de julho de 1868, foi lido um expediente do Sr. Alphonso Gaune, oferecendo contrato para iluminação pública de Teresina, dirigida à comissão de obras públicas e Fazenda Provincial. O parecer emitido dia 21 pelas comissões da Fazenda e Obras Públicas indeferiu a petição de Alphonse Gaune, sobre a iluminação da Capital.

Consta no jornal teresinense A Imprensa, de 01 de dezembro de 1869 que na Sessão do dia 24 de novembro na Assembleia Provincial o presidente Dr. Manuel Ildefonso (1832-1897) apresentou um projeto concedendo da verba obras públicas a quantia de 20$ réis para ensaio de iluminação na Capital, sendo julgado objeto de deliberação, sob nº 36.

Em maio de 1870 Presidente da Província do Piauí, o cearense Luís Antônio Vieira da Silva (1828-1889),  Visconde de Vieira da Silva, também advogado e banqueiro, celebrou um contrato com o Dr. José Gaune para um ensaio de iluminação em Teresina, através da resolução nº 666 de 14 de dezembro de 1869. Ignoramos se era o mesmo Alphonso ou um parente seu. 

Em meados de 1871, o presidente provincial Manoel do Rego Barros Sousa Leão informou que os quatorze lampiões de querosene contratados com o engenheiro José Gaune haviam sido entregues. Contudo, as colunas de ferro encomendadas na França que deveriam sustentar os lampiões, devido aos conflitos existentes naquele país, não estavam disponíveis (Carvalho, 2013).

Em dezembro de 1882 teve inicio oficialmente a iluminação pública na cidade de Teresina. Assim o jornal A Época, de 03 de fevereiro de 1883 descreveu o evento: 

Andávamos em trevas, mas a 2 de dezembro pretérito iniciou-se a iluminação pública. Fincaram-se oitenta barrotes de aroeira e no topo de cada um enfiou-se um lampião. Depois convidou-se licitantes. Apareceram muitos e um só foi aceito, como é natural, para fornecer querosene e acender de noite os candeeiros. Houve para isso contrato, e parece que estabeleceu-se a condição de não ser desmentido a regra: entre nós nada progride.

Os candeeiros vem limpos como as almas santas benditas. Deita—lhes pouco querosene e, além disto, suspende-se tão pouco o pavio que a luz mal sai do bocal do candeeiro, não por economia, porém para não deslumbrar a gente, nem estragar a vista do povo, que pode sofrer grande alteração, com a luz do querosene, que faz mal aos olhos...

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ASSIM ERA A ILUMINAÇÃO DE TERESINA: UM LAMPIÃO, COM FACES DE VIDRO E DENTRO DELE, UMA LAMPARINA COM QUEROSENE. REPRODUÇÃO MERCADOLIVRE.

Em novembro de 1883 o inspetor do Tesouro Provincial do Piauhy O. B. de Albuquerque Rosa fez publicar edital nos jornais estabelecendo as normas para nova rodada de licitação para administração do serviço de iluminação pública:

O inspetor do Tesouro Provincial faz público para conhecimento de quem possa interessar que devendo proceder-se em sessão da junta administrativa de 14 do corrente mês a arrematação da iluminação pública desta cidade, recebe-se a proposta para o dito fim em carta fechada até o dia 13, sendo as condições as seguintes:

O arrematante receberá os lampiões de seu antecessor, devidamente colocados e consertados, supridos de pavios e mangas de vidro, conforme recebeu, sendo obrigado a fazer o custeamento da iluminação com pessoal seu, suprindo as mangas que se quebrarem durante o tempo em que ela estiver a seu cargo, fornecendo o querosene necessário e a conservar os lampiões devidamente asseados.

A iluminação começará, nas noites de escuro às 06 horas da tarde e se apagará às 05 da manhã. Nas noites de luar os lampiões serão acesos uma hora antes de recolher-se a lua e serão apagados depois que ela se mostrar no horizonte.

O Contrato era anual e o pagamento trimestral.

Já naqueles tempos pré-eletricidade havia problemas não só com a manutenção do sistema de iluminação a querosene, mas também com furto das lamparinas. Um jornal da época noticiava:

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FONTE: JORNAL A IMPRENSA, TERESINA 16 DE MAIO DE 1885.

Os serviços de iluminação pública eram terceirizados com empresários da época, que se encarregavam do serviço. O jornal teresinense Época de 05 de abril de 1884, período ainda bem longe da maravilha elétrica nos postes, já nos mostrava o quanto era restrito e precário o abastecimento dos lampiões dos postes da Cidade. A redação do jornal dava vazão a reclamações de populares de que o contratante dos serviços públicos de iluminação, provavelmente por ausência do fiscal do Governo desta atividade na Capital, pouco estava ligando para o asseio dos lampiões. Os vidros (mangas) não estariam sendo limpos a contento de maneira a deixar uma claridade maior. Dizia mais a matéria:

Esta também não tem estado boa, devido de certo ou ao péssimo corte dos pavios ou a pouca graduação que se dá neles, á noite, depois de acesos.

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RECLAMAÇÃO CONTRA OS PRECÁRIOS SERVIÇOS DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA A QUEROSENE. FONTE: JORNAL A IMPRENSA, TERESINA 02 DE JULHO DE 1889.

Se existia uma precária iluminação pública, a doméstica dependia exclusivamente do poder aquisitivo dos seus habitantes. Ia desde simples candeeiros, passando por lampiões importados até uma iluminação mais sofisticada, á base de acetileno e gasolina. É o caso deste anúncio de 1908 do Café Internacional, na Praça Uruguayana (atual Rio Branco), que dotado de motor de combustão produzia não só a iluminação de seu ambiente como até cerveja gelada, uma raridade para aquela época em Teresina.

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PROPAGANDA DE UM CAFÉ DA PRAÇA RIO BRANCO MOSTRANDO SEUS SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO INTERNA: ACETILENO E GASOLINA. FONTE: JORNAL A GAZETA, TERESINA, 02 DE DEZEMBRO DE 1908.

O certo é que a iluminação noturna nestes postes com lampiões a querosene deixava muito a desejar, pois, além de não ser um serviço de qualidade, atingia apenas algumas ruas, restritas às então praças da Constituição (depois Marechal Deodoro) e Uruguayana (depois Rio Branco) e imediações.

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NESTA IMAGEM DA PRAÇA MARECHAL DEODORO de 1910, ARMAZENADA NO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO, ATÉ MESMO A ILUMINAÇÃO A QUEROSENE ERA PRATICAMENTE IMPERCEPTÍVEL.

A energia elétrica tem início com o Gov. Antonino Freire

Quando começou mesmo a iluminação elétrica em Teresina, a pioneira do Estado? Na verdade foi um processo longo e não uma introdução súbita. Digamos que toda esta estrutura foi instalada progressivamente de 1911 a 1914, quando se firmou em definitivo.

Foi no governo do engenheiro civil Antonino Freire da Silva (1878-1934), que dirigiu os destinos do estado de 15 de março de 1910 a 1º de julho de 1912, que teve início o processo de eletrificação.

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GOVERNADOR ANTONINO FREIRE. REPRODUÇÃO.

O jornal oficial Diário do Piauhy, de 22 de setembro de 1911 se refere aos serviços de implantação dos serviços de energia elétrica na Capital, exaltando estes melhoramentos que alavancaria nosso desenvolvimento e melhoria de vida. 

Sobre o empenho do governador Antonino nas obras de implantação da energia elétrica na Capital, o jornal acrescenta:

O exmº Sr. Dr. Governador do Estado não tem poupado esforços em bem do aperfeiçoamento material e intelectual do Piauí, não se tem descansado no sentido de proporcionar a Teresinha uma iluminação compatível com o seu desenvolvimento.

Trabalha no sentido de remover todos os obstáculos que se antepõem à definitiva satisfação da grande necessidade que todos nós sentimos, de uma iluminação para a aprazível capital piauiense, na altura do nosso grau de cultura e das exigências do nosso centro.

Tenhamos, portanto, confiança e dentro em breve havemos de contar entre nós mais esse imprescindível melhoramento.

Antonino Freire entrou para História do Estado como um governador dinâmico, empreendedor e foi ele que alicerçou todas as condições técnicas e financeiras para a implantação da energia elétrica na Capital, inaugurada no governo de seu sucessor e então aliado, Miguel de Paiva Rosa (1876-1929). Não temos notícias de nenhum evento com iluminação elétrica no governo Antonino Freire.  Deixou isso para seu sucessor.

Governo Miguel Rosa: a Capital é iluminada

 Antonino Freire saiu do governo já legando a Miguel Rosa a estrutura parcial para o funcionamento da energia elétrica. 

Miguel Paiva Rosa, bacharel em direito, juiz distrital, diretor da Instrução Pública entre outros cargos, assumiu o Governo do Estado em 1º de julho de 1912 findando seu mandato em 1º de julho de 1916. Teve um governo muito conturbado e repleto de crises sociais e políticas, fatos por nós descritos neste portal na matéria http://www.piracuruca.com/index.php/politica-antiga/144-o-conturbado-governo-de-miguel-rosa. 

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MIGUEL ROSA EM RECIFE, 1898. ARQUIVO FUNDAJ.

Nos anos de 1912 e 1913 o governo Miguel Rosa reforçou o alicerce energético e fez progredir a implantação da usina elétrica bem como a iluminação pública. A definitiva, onde se incluiria a doméstica, doméstica ficaria para meados do ano de 1914.

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ESTA IMAGEM DE AUTORIA DESCONHECIDA É DE 1914. VÊ-SE NELA O PRÉDIO DA USINA ELÉTRICA, NA AVENIDA MARANHÃO, APROXIMADAMENTE ONDE HOJE É O PRÉDIO DA ELETROBRAS, ENTRE AS RUAS JOAQUIM RIBEIRO E SANTA LUZIA. REPRODUÇÃO.

A empresa contatada para instalar a usina de força na Avenida Maranhão era a Companhia Brasileira de Eletricidade Siemens Schuckertwerke, subsidiária da empresa alemã Siemens. Fundada em 1905, a Companhia Brasileira de Electricidade Siemens-Schuckertwerke foi a primeira multinacional eletroeletrônica a se estabelecer no Brasil. O engenheiro responsável pelas instalações de Teresina era o Dr. Rudolf Becker.

Talvez o primeiro grande evento cívico promovido no Piauí com iluminação elétrica tenha sido as comemorações do 07 de setembro de 1912, com o novo governador no cargo apenas há menos de dois meses. Os governos municipal e estadual se uniram fraternalmente para as comemorações das festividades da independência na então Praça Aquidabã (hoje Pedro II).

Assim o jornal Diário do Piauhy, de  07 de setembro de 1912 descreveu os preparativos para as festividades naquele logradouro, já com iluminação elétrica, ainda em fase de testes.

Para comemorar a gloriosa data da Independência do Brasil, estão organizadas para hoje, festas que prometem todo o brilho. Dentre elas merece destaque a organizada pelo operoso Sr. Intendente Municipal, apoiado pelo Governo do Estado. Constará de exibições de fitas cinematográficas na Praça Aquidabã (Praça do Quartel da Polícia) e onde também a bem afinada música do corpo militar fará um concerto público, sob a competente direção do 2º tenente Cornélio Pinheiro. 

Sabemos que a referida praça estará lindamente ornamentada e iluminada à luz elétrica. Desde ontem estão erguendo ali artístico coreto, de onde tocará a banda policial. As festas começarão as 07:30 da noite.

Deve ter sido um evento marcante, provavelmente o primeiro em público com iluminação elétrica. A notícia afirmava que as festividades duraram das 20 às 24 horas. Uma noitada cívica e cheia de atrações, não mais iluminada com raquíticos e tênues clarões de lampiões a querosene, mas á lâmpadas elétricas, uma novidade maravilhosa para a Capital.

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IMAGEM DE AUTORIA DESCONHECIDA DA PRAÇA PEDRO II,  PROVAVELMENTE DO PERÍODO 1905-1910, ANTES DA IMPLANTAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA.

Participaram das solenidades inúmeras autoridades como o Intendente Municipal Tersandro Gentil Pedreira Paz (1878 - ?) e o governador Miguel Rosa. Toda a elite e o povo teresinense acorreu a Praça para presenciar um evento nunca dantes visto. Todos ficaram extasiados em ver toda a Praça, profusamente iluminada com lâmpadas elétricas.

Os trabalhos de implantação dos melhoramentos prosseguiam a todo vapor no governo Miguel Rosa. Em setembro de 1912, poucos dias após os festejos da Proclamação da República, já estavam em pleno andamento o levantamento de várias torres de ferro que serviriam de transformadores. Enquanto isso continuava a chegar materiais para a usina, no localque era chamado Veneza, hoje na Av. Maranhão, onde fica o prédio da CEPISA. Nesta época as notícias jornalísticas informavam que estavam sendo despachada do porto maranhense de Tutoia para a usina mais de setenta toneladas de materiais.  E a instalação de postes para iluminação pública era concluída a toda hora. 

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IMAGEM DE AUTORIA E DATA DESCONHECIDAS. ANTIGO TESOURO PROVINCIAL, DEMOLIDO PARA A CONSTRUÇÃO DO MINISTÉRIO DA FAZENDA NA DÉCADA DE 1970, NA PRAÇA RIO BRANCO. OBSERVEM OS POSTES DE ENERGIA ELÉTRICA FEITOS DE TRONCOS DE MADEIRA TALHADOS. ARQUIVO PÚBLICO DO PIAUÍ.

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IMAGEM PUBLICADA NO ALMANAQUE LAEMMERT (1917) PARA 1918-1919. MOSTRA UM TRECHO DA PRAÇA MARECHAL DEODORO JÁ COM ILUMINAÇÃO ELÉTRICA. NO CANTO DIREITO DA FOTO ESTÁ TALVEZ O NOME DO AUTOR DA IMAGEM: FONTINELLE.

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ESTA IMAGEM, DE DATA E AUTORIA DESCONHECIDA É BEM MAIS RECENTE QUE A ANTERIOR. MOSTRA A PRAÇA MARECHAL DEODORO, JÁ COM POSTES DE FERRO. REPRODUÇÃO.

Pesadas críticas ao Governo Miguel Rosa

Naquela época os empresários endinheirados eram denominados de capitalistas. Eram latifundiários, lojistas, industriais, etc. Na ausência de bancos emprestavam dinheiro não só a particulares, mas também ao poder público.  O serviço de implantação de abastecimento de água em Teresina, começado em 1904, por exemplo, foi realizada através de um empréstimo da Intendência Municipal junto ao poderoso comerciante e capitalista Antônio Gonçalves Pedreira Portellada, um dos milionários daquela época. 

Com a energia elétrica não poderia ser diferente. Os recursos do tesouro estadual eram parcos e os governantes sempre apelaram para os capitalistas. Segundo o jornal Diário do Piauhy, de 11 de outubro de 1912, outro jornal citou irregularidades havidas na contração destes empréstimos.

O jornal, que não tem o nome citado, afirmava que o empréstimo feito pelo Governo Estadual de cinquenta contos para o serviço de iluminação elétrica da Capital teria sua operação corrido em segredo, sendo considerada lesiva aos interesses dos piauienses. 

Porém a acusação foi refutada pelo Diário Oficial, que era o porta voz do Governo. A administração pública não teria condições de realizar estas melhorias sem recorrer aos empréstimos particulares. Os empréstimos contraídos junto aos capitalistas eram pagos com pontualidade, como ocorria junto ao comerciante Portellada, a quem sempre os governos da época recorriam. Os defensores do Governo afirmaram que este tipo de empréstimo dispensava concorrência pública e que não era verdadeiro o sigilo que teria pairado sobre tais operações. E o Governo utilizou um argumento aparentemente convincente da lisura dos empréstimos.

Ora, o principal capitalista que emprestou dinheiro ao Governo para os serviços de energia elétrica foi o comendador Pinho e Castro, de Caxias-MA. Acontece que o seu procurador na transação era o Sr. Joaquim Gomes Ferreira, ferrenho opositor do Governo do Estado.  

Alega ainda a defesa do Governo que o contrato, depois de transitar por Cartório de Notário Público e pela Secretaria de Fazenda, seguiu para o Tribunal de Contas.

Quanto à questão dos juros de 9% ao ano para o empréstimo, o Governo afirmava que não era exagerado. Citava ainda que os juros de 8% cobrados pelo Sr. Portellada para o financiamento do abastecimento de água na Capital eram pagos adiantamento, ao passo que naquele atual empréstimo para energia elétrica eles eram pagos vencidos, o que gerava uma diminuta diferença entre ambos.  

Como dissemos, o Governo Miguel Rosa foi muito atribulado e repleto de convulsões políticas. A oposição a ele era ferrenha.

O Diário do Piauhy (06 de março de 1913) também reporta pesadas críticas feitas ao governo Miguel Rosa num jornal carioca a 17 de janeiro de 1913, na forma de três graves acusações na questão da energia elétrica em Teresina:

Em primeiro lugar, o Governo Estadual não teria pago aos empreiteiros a quantia devida de oito contos de réis, por serviços prestados no contrato de iluminação elétrica;

Em segundo lugar, mesmo inadimplente, estaria utilizando à vontade os serviços de energia elétrica.

Por fim, estaria a dever três meses de salários atrasados ao encarregado da usina, o engenheiro alemão Rudolf Becker, um total de nove contos de réis.

Entretanto, não só o Governo do Estado desmentiu estas injúrias, mas também o próprio Rudolf Becker. O Diário do Piauhy de 06 de março de 1913 encontrou algumas explicações para os boatos. Teria sido uma declaração mal entendida pelos jornais dada pelo representante do Ministério Público Lucrécio Avelino (1882-1927), que seria barbaramente assassinado em 1927. Diz a notícia:

Este despacho foi contestado pelo Governo e pelo ilustre dr. Becker. E o Sr. Lucrécio Avelino, pelo Correio de Therezina assumiu a sua paternidade e tenta explica-lo. Atribui ao telégrafo a alteração de cifras porquanto alega haver escrito oitenta e não oito contos. De acordo. Realmente o engano pode ter ocorrido, não por má vontade da estação de Teresina sempre tão solícita no cumprimento de seus deveres, mas por engano nas estações intermediárias, onde há um extraordinário acúmulo de serviço, que autoriza tais erros.

Mas a parte talvez mais grave do despacho em questão não sofreu estropio e o sr. Lucrécio Avelino repete-a, na sua defesa. E é aquela em que o correspondente do Correio da Manhã assegura que o maquinismo da iluminação elétrica não está montado “porque o Estado não pagou à firma contratante a segunda prestação já devida.

Ora, é o Sr. Becker quem diz no seu despacho para o Rio que:

Demora conclusão serviço dificuldade transporte; inauguração junho”.

E ninguém acreditará que o Sr. Lucrécio Avelino zele mais o interesse da casa Siemens do que o seu engenheiro chefe, que aqui trabalha por conta daquela respeitável firma.

Depois de criticar o oposicionismo exaltado do jornal Correio da Manhã, o Diário do Piauí, que era o órgão oficial do Governo critica com veemência a parcialidade de Avelino:

E o Sr. Lucrécio Avelino, representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, dá triste cópia do seu zelo e interesse pelos deveres profissionais, confessando que não conhece essa parte de um contato submetido ao seu parecer. Isto no caso de estar de boa fé, o que não ocorre, porquanto ouvimos de um seu íntimo que ainda a 27 do passado (fevereiro de 1913) rebuscava no arquivo do tribunal o documento em questão e assim, somos forçado a concluir que o pretensioso moço faltou com a verdade.

Havia muita expectativa na época sobre a inauguração completa da iluminação e muitas críticas eram tecidas em jornais pela demora dos melhoramentos. Geralmente, política à parte, parte da população desconhecia os esforços do Governo, as dificuldades técnicas e financeiras para a instalação da luz elétrica, sob a responsabilidade do engenheiro Becker desde 1911.

Na época da República Velha (1889-1930) a radicalização política entre oposição e situação era intensa. Jornais eram constituídos para defender partidos e agredir, difamar e caluniar opositores ou situacionistas. E o Governo Miguel Rosa, como dissemos, talvez tenha sido o mais conturbado da República Velha no Piauí, não só com guerra de nervos nos jornais mas com formação de grupos de jagunços, assassinatos, etc.

Prosseguem as obras de infraestrutura

Para fazer face ás crescentes despesas provenientes dos serviços de iluminação (bem como abastecimento de água) em Teresina, ainda em junho de 1913, Miguel Rosa assumiu mais compromissos financeiros com capitalistas. A maior parte veio do milionário coronel Antônio Gonçalves Pedreira Portellada e de seu filho coronel José de Lobão Portellada. O Portellada pai era um dos principais acionistas e diretores da antiga Companhia  de Fiação e Tecidos Piauiense (fundada em 1889), hoje Lojão Paraíba na Rua João Cabral, às margens do Rio Parnaíba pela  Av. Maranhão. Era também diretor e acionista da Companhia de Vapores e possuía ainda um escritório de Importação e Exportação e loja de fazendas, armarinho, secos e molhados à Rua Grande (atual Álvaro Mendes). O filho possuía loja de ferragens, miudezas  e exportação á Rua Álvaro Mendes, provavelmente a mesma empresa do pai.

Numa mensagem apresentada à Câmara legislativa no dia 1º de junho de 1913, Miguel de Paiva Rosa enalteceu o nobre gesto da família Portellada, em financiar serviços tão essenciais ao desenvolvimento social e econômico da Capital.

Os empréstimos contraídos juntos à família Portellada e a outros capitalistas remontaram a Rs. 635.000$000, ou seja, seiscentos e trinta e cinco contos de réis, uma fábula para a época. Vale salientar que tal montante também era para as obras de expansão do abastecimento de água. 

Miguel Rosa fazia questão de pagar pontualmente as parcelas dos empréstimos, pois isto lhe abria caminho a mais empréstimos junto aos capitalistas. Segundo sua mensagem aos deputados, até o dia 31 de março de 1913, o Piauí ainda devia as, seguintes somas:

- Coronel Antônio Gonçalves Pedreira Portellada; 53.571$438;

- Maria Germana da Cruz e Santos: 7.142$860;

- José de Lobão Portellada: 150.000$000;

- Coronel Manoel de Pinho e Castro: 50.060$000.

Essa dívida por completo totalizava 260.714$298

Firme e convicto de seus objetivos na infraestrutura elétrica, Miguel Rosa reconhecia as imensas dificuldades e entraves de se ter uma usina e um sistema de iluminação elétrica em pleno funcionamento. Assim ele elencou estes empecilhos na mesma mensagem acima citada:

Apenas autorizei reparos de pequena monta, limitando as obras públicas ao prosseguimento do serviço público de iluminação e energia elétrica nesta Capital.

Dificuldades de várias naturezas têm retardado a conclusão deste útil empreendimento. O embarque de parte do material foi demorado na Europa muito mais do que contavam os fornecedores em virtude de greves frequentes do operariado ali. Depois tivemos que lutar com a de falta de transporte de Parnaíba a Teresina e até com a falta de guindastes suficientemente poderosos para o embarque e desembarque das peças mais pesadas. 

Removido tudo isso o serviço quase paralisou à falta de cimento no mercado. E, presentemente, o rigor do inverno, ainda não findo em absoluto, tem sido um entrave posto aos trabalhos das nossas olarias, de sorte que estamos a braços com uma crise de tijolos. 

Entretanto a casa da usina está concluída, pronto o quadro de distribuição elétrica, assentada a base de um dos motores e em via de ser assentada outra. Em todas as ruas estão distribuídos os postes e os fios já começaram a ser estendidos. 

Embora com todas estas dificuldades o progresso era sem volta. No início de setembro de 1913 chegaram do sul do país os azulejos e mosaicos solicitados para o ladrilho e revestimento das paredes da usina, cujo forro estava já em fase de conclusão. As máquinas a cada dia estavam mais assentadas.

Festas e comemorações residenciais sob a luz elétrica

Mesmo sem inaugurar oficialmente o sistema de abastecimento elétrico na Cidade, em julho de 1913 já havia iluminação pública nas ruas e em muitas residências e repartições públicas.

No dia 10 de julho houve um banquete político oferecido pelo governador Miguel Rosa à Câmara Legislativa do Estado. O evento, repleto de autoridades estaduais, ocorreu no Palácio do Governo (atual Museu do Piauí) que ...estava profusamente iluminado à eletricidade, sendo a instalação feita sob a hábil direção do ilustre Sr. Rudolph Becker, competente chefe do serviço de luz elétrica desta Capital.

Nas residências particulares também já havia energia elétrica, embora nem em todas. Em julho de 1913 revestiu-se de pompa e brilhantismo uma festa realizada na casa do Sr. Nicolau Tajra, sírio do ramo de armarinhos, fazendas e moda pela chegada de sua filha Negib Tajra, recentemente casada com o Sr. Abib Salim Tajra, do ramo mesmo ramo comercial. O Sr. Nicolau Moyses Tajra era proprietário de loja situada à Rua Paissandu, sendo Loja Minerva nos anos 1910 e com o nome alterado para Loja Primavera na década de 1920.  Seu genro era proprietário de uma loja na Rua Coelho Rodrigues, frente ao antigo Telégrafo.

O banquete e a soireé ocorreram sob o esplendor da luz elétrica.

Elogios a Antonino Freire e Miguel Rosa

O jornal Diário do Piauhy, órgão oficial do Estado, em sua edição de 21 de março de 1914 dão as notícias alvissareiras sobre a inauguração definitiva da energia elétrica na Capital e enaltecia a figura dos dois governadores responsáveis pela implantação deste progresso:

A iluminação elétrica desta capital era um melhoramento que estava a exigir o seu estado de adiantamento e progresso. Todos sentiam isso perfeitamente. Depois do abastecimento de água potável, por meio de um serviço que nada deixa a desejar, era muito natural que as vistas do Governo se voltassem para o nosso problema da iluminação pública. 

E foi o que aconteceu na patriótica administração do eminente piauiense Dr. Antonino Freire, que deu feliz início ao notável empreendimento que, encontrando da parte do exmº Sr. Dr. Miguel Rosa, atual governador do Estado, a mesma alevantada orientação e os mesmos patrióticos intuitos que distinguiram o governo passado, se está prestes a concluir, pois tudo indica que teremos , nos primeiros dias do próximo mês, a instalação da luz elétrica já ansiosamente esperada.

A seguir o jornal discorre sobre a chegada de combustível diesel para a usina:

Noticiamos em edição passada que haviam chegado certo número de quartolas de óleo. Agora acrescentamos que mais 20 quartolas ainda de óleo vêm de ser novamente recebidas e, pelo trem da próxima segunda feira chegarão mais cem, nada mais faltando para a instalação do serviço de iluminação elétrica que, tudo concorre para assegurarmos, se realizará nos primeiros dias de abril.

Problemas, depredações e multas

Como nos dias de hoje, a iluminação pública, notadamente as lâmpadas sofriam a ação de imprudentes e vândalos. Naquela época também aconteceram problemas, tanto de vandalismo propriamente dito, mas também de imprudência. Muitos problemas eram apenas acidentes, sem intenção de danificar o patrimônio público. Nem por isso a multa era menos pesada. 

O jornal Diário do Piauhy, na sua edição de 05 de abril de 1915 noticia haver sido recolhido aos cofres estaduais uma multa no valor de 10$000, imposta a um carroceiro incauto que, por descuido abalroou sua carroça ao um poste da rede elétrica, danificando o globo.

Outra preocupação das autoridades era com os papagaios (pipas), os quais foram proibidos pela polícia de serem soltos nas proximidades da fiação pública, telefônica e agora também elétrica.

Havia ainda a questão do vandalismo que resultavam na quebra de lâmpada, atribuído na época a ...perversidade de menores e vagabundos, o que requeria a constante ação da polícia (Jornal Diário do Piauí, 16 de maio de 1914).

A casa de máquinas

Em 10 de maio de 1914 o governador Miguel Rosa, o intendente Tersandro Paz, convidados especiais e a imprensa fizeram uma longa visita à usina de eletricidade, onde receberam explicações técnicas sobre a unidade elétrica por parte do engenheiro alemão Becker. Chegaram todos ao local numa lancha.

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DIÁRIO DO PIAUHY 12-MAIO-1914.

Nesta ocasião foi posta em operação demonstrativa uma das duas então possantes máquinas diesel, desenvolvendo a força de 125 CV, sendo sua capacidade máxima de 250 CV para cada uma. O transformador de dentro da usina foi ligado, fornecendo luz para umas 30 lâmpadas do prédio, o que deixou o Governador e os convidados radiantes. O champanhe correu solto entre os convivas.

Assim o jornal Diário do Piauhy de 12 de maio de 1914 reproduziu as descrições técnicas do maquinário, fornecidas pelo engenheiro Becker:

Os dois motores diesel trabalham com óleo bruto e tem todo processo de transformações de combustível em rotações, quer dizer, a energia resolve-se dentro do próprio motor, não precisando de caldeiras nem reparos. 

A referência à ausência de caldeiras se explica pelo fato de que a maioria das máquinas de produção de energia daquela época funcionava com uma caldeira a lenha acionando um gerador. Quanto a não necessidade de reparos para a máquina, deve ser figura de expressão do jornalista daquela época.

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IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA DE UM GRUPO GERADOR ELÉCTRICO SIEMENS E QUADRO DE COMANDO, FABRICADO EXATAMENTE EM 1914, ANO EM QUE MÁQUINAS DESTE TIPO FORAM ACIONADAS EM DEFINITIVO EM TERESINA. FONTE: HTTP://MUSEUS-ENERGIA.BYCLOSURE.NET

Explicou ainda o engenheiro Becker que aquela data para a inauguração extra-oficial da usina, 10 de maio, era uma homenagem ao natalício do ex-governador Antonino Freire, que também era engenheiro como o alemão, e em cujo governo teve início o processo de implantação do sistema elétrico na Capital.

Como o homenageado nesta experiência não se encontrava no Piauí, mas sim no Rio de janeiro, foi endereçado a ele um telegrama de felicitações, assim reproduzido no jornal Diário do Piauhy:

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FONTE: JORNAL DIÁRIO DO PIAUHY, 12 DE MAIO DE 1914.

Encerrada a pré-inauguração, enquanto muitos retornaram para suas casas na mesma lancha que os trouxeram, Miguel Rosa, acompanhado de alguns convidados fez questão de percorrer o caminho da Usina até a Praça Saraiva por volta das 19 horas. No trajeto verificou com satisfação a iluminação pública por eletricidade, chegando até ao poste do seminário da Praça.

A usina foi oficialmente inaugurada em 01 de junho de 1914, numa segunda feira, com grande concerto instrumental da banda de música do corpo militar, no artístico coreto da Praça Rio Branco. Com os jardins inundados de iluminação, uma elegante multidão passou ali horas agradáveis de entretenimento.

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ATUAL RUA SENADOR TEODORO PACHECO, JÁ COM ILUMINAÇÃO ELÉTRICA. DATA E AUTORIA DA IMAGEM DESCONHECIDOS.

Mensagem de Miguel Rosa à Câmara Legislativa

Na mensagem do governador dirigida á Câmara Legislativa do Estado em 1º de junho de 1914, Miguel Rosa explicava detalhadamente a capacidade da Usina, sua faculdade de abastecer independentemente ruas e residências, de um lado, e indústrias, de outro. 

Para a iluminação pública foi instalada na Capital 350 lâmpadas. Mais de cem quilômetros de fios de cobre foram colocados na zona urbana de Teresina, em 100 postes de ferro e 380 de madeira, que o governo esperava substituir o mais rápido possível pelos metálicos.

Ressaltando a dispensa de caldeiras à lenha para o processo elétrico implantado, o administrador mostrou lampejos de ecologia, no caso da preservação de nossas matas nativas:

Poupamos assim as nossas já tão devastadas matas e fugimos ao problema cada vez mais difícil de lenha, entre nós.

Em 06 de julho de 1914 foi promulgada a Lei nº 614, que autorizava o Governador a expedir regulamento para o serviço de energia elétrica em Teresina. 

Cobranças públicas

Dependendo muito do pagamento das tarifas de consumo para manter o sistema elétrico da Capital funcionando, após tantos investimentos, o nome dos consumidores e a dívida a pagar eram publicados no Diário do Piauhy em cobrança preventiva.

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FONTE: DIÁRIO DO PIAUHY 13 DE SETEMBRO DE1914. 

Observa-se nesta relação a fina elite da Capital. Dentre os consumidores residenciais, comerciais ou públicos estavam a Intendência Municipal; a Repartição dos Telégrafos; Santídio Monteiro, da Diretoria de Agricultura, Terras Viação e Obras Públicas; Theatro Café e Variedades, na Praça Rio Branco, do Sr. José Galhardo, inaugurado em julho de 1914; o Coronel João Augusto Rosa, Secretário de Fazenda no governo Antonino Freire e pai de Miguel Rosa; o Dr. Júlio Rosa, irmão do governador Miguel e oficial de gabinete nos governos de Antonino Freire e de Miguel Rosa; o magnata João (Joca) Maria Brochado, proprietário da indústria Saboaria Piauhyense na Av. Maranhão, da Loja Joca (Rua Eliseu Martins, onde posteriormente funcionou a Livraria Leonel Franca) e da primeira empresa telefônica piauiense (em Teresina); Antônio Castro Veloso, Tesoureiro da Secretaria de Fazenda; Dr. Antônio Augusto de Moura, comandante da Guarnição do Estado; professor francês Charles Jourdan, que ministrava aulas em sua língua na Rua Lisandro Nogueira e também no Liceu Piauiense; Antônio B. Ferraz, presidente da Junta Comercial e provedor da Santa Casa de Misericórdia de Teresina nos anos 1920; Hotel 15 de Novembro, inicialmente na Rua Se. Teodoro Pacheco e depois na Rua Álvaro Mendes, o melhor da época, fundado por Justino Barbosa de Carvalho e depois comprado, sucessivamente por Raymundo Furtado (Anos 1920) e finalmente por Christino Carvalho (anos 1930); o intelectual Abdias Neves (1876-1928), advogado e senador; Dr. Honório Parentes (1843-1927), presidente da Associação Comercial e proprietário da Loja Mafrense, na Rua Paissandu; Francisco Brandão Júnior, agrimensor, professor da escola de Agrimensura, futuro Delegado de Terras e dono de fábrica de pilar arroz; Arthur Freire, capitão e telegrafista nacional; capitão Francisco A. Guimarães, comandante de vapor fluvial; D. Lili Lopes (1871-1959), dona da farmácia Botica do Povo, fundada em 1886, na Praça Rio Branco;  Maria L. de Sousa Mendes, antiga modista estabelecida na Praça Marechal Deodoro; Pharmacia dos Pobres, na Rua Paissandu, do intendente Tersandro Paz  e outros.

Mas também a cobrança coerciva era praticada, com o prazo curto de três dias apenas para regularizar a situação de atraso, sob pena de suspensão do fornecimento. Também nestas relações a fina elite teresinense. Neste caso preferimos não publicar a relação (consta do Diário do Piauhy, de 17 de outubro de 1914).

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IMAGEM MAIS RECENTE DA USINA ELÉTRICA DE TERESINA, SEGUNDO ANNUARIO ESTATÍSTICO DO PIAUHY – 1926.

O Piauí entrou parcialmente na modernidade com a introdução da energia elétrica em Teresina. Posteriormente, as cidades interioranas de maior porte implantaram suas próprias usinas, pequenas, a diesel ou a lenha. A de Teresina recebeu sucessivas reformas e ampliações, porém nunca o suficiente para alavancar uma industrialização de porte ou unificar o estado. Isso só ocorreu após a inauguração da Usina hidrelétrica de Boa esperança, em 1970.

Fontes:

CARVALHO, G.M.R. de. Cativos da nação e Educandos Artífices nas obras públicas da construção de Teresina (1850-1873). Porto Alegre, 2013. 

COUTINHO, R. Arquivo pessoal.

Jornal A Imprensa, Teresina, edições de: 14/10/1865; 22/08/1868; 12/09/1868; 01/12/1869; 08/09/1870; 22/09/1871; 16/05/1885; 02/09/1889;

Jornal O Piauhy, Teresina 21 de maio de 1870.

Jornal Época, Teresina, edições de: 03/02/1883; 10/11/1883; 05/04/1884.

Jornais Diário do Piauhy, Teresina. Edições dos dias: 22/09/1911;10/09/1912; 15/09/1912; 11/10/1912; 03/01/1913; 06/03/1913; 01/06/1913; 12/07/1913; 05/09/1913; 23/07/1913; 21/03/1914; 05/04/1914; 05/05/1914; 10/015/1914; 15/05/1914; 16/05/1914; 31/05/1914; 01/06/1914; 03/07/1914; 08/07/1914; 13/09/1914; 17/10/1914; 

Jornal A Gazeta, Teresina, 02 de dezembro de 1908.

 

 

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