Crescimento urbano de Piracuruca se mostra como uma ameaça à preservação de sítios arqueológicos

A cidade de Piracuruca- Piauí, situada a cerca de 196 km da capital Teresina, está inserida em um importante cenário arqueológico, prova disso são os inúmeros sítios arqueológicos encontrados dentro do seu território, só catalogados no site do IPHAN são mais de 40, essa quantidade expressiva de vestígios pré-históricos coloca a cidade como um relevante centro de encontro e/ou passagem dos povos primitivos, é válido lembrar que dentro do Parque Nacional de Sete Cidades, situado a cerca de 18km do centro do município, também ocorrem vários sítios arqueológicos, o mesmo acontece com diversos centros arqueológicos importantes existentes no norte do Piauí como: Guaritas em Bom Princípio, Arco do Covão em Caxingó, Buriti dos Cavalos em Piripiri, Lapa e Torres em Pedro II e alguns outros.


VISTA DE CINCO SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS PRÓXIMOS À ÁREA URBANA DA CIDADE DE PIRACURUCA (IMAGEM: GOOGLE EARTH)

A expansão do perímetro urbano da cidade coloca muitos desses sítios em situações perigosas visto que não há um trabalho voltado à preservação e também não é esclarecida para a comunidade a devida importância dos mesmos, assim eles acabam sendo destruídos e incorporados de forma predatória ao cenário urbano da cidade, salvo em alguns pouquíssimos casos isolados.

Os sítios aqui destacados são os que revelam a arte rupestre, esta que é a mais antiga representação artística da história do homem. Os mais antigos indícios dessa arte são datados no período Paleolítico Superior (40.000 a.C.); consistem em pinturas e desenhos gravados em paredes e tetos das cavernas. Isso demonstra que o homem pré-histórico já sentia a necessidade de expressão através das artes, algo inerente ao ser humano.

A maior parte das pinturas é localizada em rochas próximas aos cursos d’água, são feitas com pigmentos vermelhos, composições de minerais de ferro. Raramente aparece o amarelo, o preto e o branco. Acredita-se que os materiais mais usados como aglutinante para as pinturas rupestres foram o sangue, argila, excrementos humanos, látex de plantas, gordura e clara de ovos de animais. A cor era obtida misturando-se o pó de rochas, com destaque para o óxido de ferro, que tem a coloração vermelho-alaranjada.

De acordo com a sua representação, as pinturas rupestres existentes nos sítios arqueológicos de Piracuruca são em sua grande maioria classificados cientificamente pela arqueologia como sendo das tradições Agreste e Geométrica, com predominância de mãos, pés, pegada de animais, além de cruzes, setas, círculos, retângulos e outros símbolos geométricos de difícil interpretação.

Na classificação das tradições entra a representação visual de todo um universo simbólico primitivo que é transmitido durante milênios, sem que os sítios pré-históricos de uma tradição pertençam aos mesmos grupos culturais, além de estarem separados por cronologias às vezes muito distantes.

Nesse artigo nos atemos a analisar cinco sítios como arte rupestre, localizados na margem norte do Rio Piracuruca:

Sítio Baixa do Jatobá:

De todos, esse sítio foi o que visitei mais recentemente, em abril de 2014 pude constatar que as pinturas ainda estão bem preservadas, as intervenções que existem são naturais e isso é perfeitamente normal, no entanto necessita urgentemente de uma intervenção pois a área onde está localizado está em franca expansão urbana, inclusive a estação de tratamento de esgotos da cidade está sendo construída bem próxima às rochas, esse sítio fica bem próxima à margem do Rio Piracuruca.

 

Sítio Baixa da Teresa:

Fica um pouco mais distante, visitei-o em 2007, apresenta alguns sinais de deterioração, inclusive com a presença de queimadas próximas, o fogo é um dos fatores que danificam seriamente as pinturas, trata-se de um grande bloco rochoso que inclui uma caverna.


Sítio Pedras do Ólho D’água do Padre:

Esse é o mais descaracterizado, também é o que já se encontra incorporado à urbanização da cidade, de fácil localização pode ser percebido por todos que trafegam pela BR 343, logo na saída da cidade no sentido norte, há alguns anos, antes de se concretizar o avanço de imóveis dentro da área do sítio, o Professor Iran Machado propôs a transformação do local em um Parque Municipal, a ideia não foi concretizada pelo poder público, infelizmente as pinturas estão sendo cobertas e destruídas.


Sito Limoeiro:

Localizado próximo à rodovia Daniel Doca, sentido Alto Alegre, visitei em 2004, quando pude perceber um processo acelerado de destruição das pinturas, vandalismo e fogo são os principais agentes observados nesse sítio.


Sítio Parque Dona Princesa:

Visitei ainda nesse ano, ficou bastante conhecido na cidade a partir da criação do Parque Ambiental Dona Princesa, uma iniciativa privada digna de elogios, é um sítio com algumas poucas pinturas desgastadas pelo tempo, porém, de não menos importância.

Desnecessário falar da relevância de tais vestígios e lamentar a pouca importância que esses locais tão importantes recebem por parte da comunidade, no entanto é digno de elogios o trabalho do Grupo Resistência Byke, principalmente do cidadão conhecido como Índio Apache que não poupa esforços para trabalhar no sentido da preservação desses locais pré-históricos.

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Fontes: 
http://www.iphan.gov.br/
http://www.fumdham.org.br/pinturas_rupestres.html
http://www.ufpe.br/clioarq/images/documentos/1986-N3/1986%201.pdf
http://arqueologiadigital.com/profiles/blogs/tradi-es-rupestres
http://www.globalrockart2009.ab-arterupestre.org.br/arterupestre.asp

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