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O catastrófico acidente da Marimbá em 1957

O catastrófico acidente da Marimbá em 1957

O dia 13 de julho de 1957 ficará para sempre na memoria do piauiense, notadamente dos moradores das cidades distantes entre si uns 130 km, Piripiri e Altos. Neste fatídico dia, um sábado, por volta das 16 horas, houve um pavoroso desastre rodoviário pouco depois de Altos-PI sentido Teresina-Altos, que vitimou 33 pessoas, inclusive o então prefeito de piripiriense Joaquim Canuto de Melo (1903-1957) em seu segundo mandato.

O trágico ocorrido se deu por conta de um violentíssimo choque frontal entre um ônibus da empresa Marimbá (linha Parnaíba-Teresina) e um caminhão carregado de toras de maneira. Isto ocorreu a cerca de 1,5 km do centro de Altos sentido Teresina, nas vizinhanças do sírio Buritizinho. 

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SÍTIO BURITIZINHO, ALTOS-PI, ÀS MARGENS DA BR ONDE OCORREU A TRAGÉDIA.

Um caminhão Ford E-5, dirigido por José Cândido Teixeira Viana, seguia da zona rural de Altos, para o centro da cidade. A carroceria do veículo estava cheio de toras madeira e alguns sacos de carvão, sobre os quais viajavam oito pessoas. O caminhão, com menos de um ano de uso, cabine de aço e rodagem simples, seguia do lugar Caranguejo, zona rural de Altos, para o centro da cidade, onde faria a entrega de uma carga de madeira redonda para a construção de uma casa.

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DEPOIS DA PLACA DE SINALIZAÇÃO OCORREU O SINISTRO DE 1957.

Ao entrar na antiga BR 22 (hoje 343), que na época era piçarrada, havia passado um ônibus com destino a Campo Maior, deixando uma nuvem de poeira. José Cândido, então, tenta várias vezes ultrapassar o ônibus que não dava espaço. Próximo à Fazenda Buritizinho, o ônibus desce para o acostamento, José Cândido, entendendo que o recuo era para ele ultrapassar, ultrapassou, colidindo violentamente com um ônibus da empresa Marimbá, que trafegava em sentido contrário, mas que não podia ser visto por causa da poeira formada pelo ônibus que acostou. Segundo o jornalista que cobriu o acidente na época para o jornal “O Dia” o impacto foi tão violento que seu estrondo foi ouvido a quatro km de distância! Os dois veículos teriam ficado colados frontalmente sendo posteriormente separados.

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O CHOQUE TOTALMENTE FRONTAL FOI ARRASADOR E MORTAL PARA MUITOS. IMAGEM DE AUTORIA DESCONHECIDA.

No local, toda a comunidade altoense, comovida pelo súbito e trágico ocorrido, se engajou no socorro as vítimas. Também de Teresina muitas pessoas se deslocaram ao local, como médicos, a Guarnição Federal e a Polícia.

 

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ESTADO EM QUE FICOU ÔNIBUS DA MARIMBÁ. IMAGEM DE AUTORIA DESCONHECIDA.

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ÔNIBUS DA MARIMBÁ DO MODELO APROXIMADO DO ACIDENTADO. FONTE: JORNAL O DIA, TERESINA 25-26 DE DEZEMBRO DE 1980.

Segundo o repórter não identificado que escrevia sob o pseudônimo de Petrus Maurício, destacaram-se no resgate ás vítimas do sinistro os nomes de Esaú Barreto e José Mendes Loiola, motoristas de caminhões de carga que viajavam pela rodovia; Eugênio Doim Vieira, agente fiscal do imposto de consumo; o comerciante de Teresina Valdemar Martins; o industrial Antônio Carvalho; Newton Cortez, veterinário do Ministério da Agricultura; Anísio Ferreira Lima, Coletor Federal em Altos; Agenor Almeida, Prefeito de Teresina; José Gil Barbosa, Prefeito de Altos; Delegado de Polícia de Altos; e o fazendeiro Mário Raulino, além de inumeráveis pessoas cujos nomes não foi possível registrar.

Consta que o motorista imprudente José Cândido ficou preso entre as ferragens gritando alucinadamente por socorro. Depois de algum tempo, após redobrados esforços para separar as máquinas, as mesmas dão uma trégua, mas inesperadamente o cabo de aço se rompe e as ferragens se contraem novamente, ceifando de vez com a vida do infeliz motorista. 

No próprio local da tragédia morreram de imediato 27 pessoas, inclusive os dois motoristas e oito das dez que estavam no Caminhão, onde a maioria viajava na carroceria. Outros seis morreram no hospital. Dizem que no choque as toras de madeira do caminhão atuaram como fatídicas “lanças” jogadas a grande velocidade e impacto sobre o pessoal do ônibus. Os seis outros faleceram em Teresina no HGV enquanto recebiam os primeiros socorros. Alguns escaparam muito feridos.

O “Jornal do Piauí” (de Teresina), edição de 18 de julho de 1957 publicou matéria sobre o acidente, detalhando a identificação de 26 dos 33 mortos. Nesta relação não estava o prefeito de Joaquim Canuto. Havia uma única residente em Piripiri:

Maria Ilka Campos, de cor branca, com 22 anos de idade, cearense, solteira, residente em Piripiri.

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O “JORNAL DO PIAUÍ”, DE TERESINA, REGISTROU O TRÁGICO ACIDENTE RODOVIÁRIO.

Com a morte do prefeito de Piripiri Joaquim Canuto, assumiu a continuidade de seu mandato, em clima de comoção o vice Jerônimo Bezerra de melo (1896-1990).

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PREFEITO DE PIRIPIRI JOAQUIM CANUTO DE MELO, MORTO NO FATÍDICO ACIDENTE. REPRODUÇÃO.

Além do motorista altoense José Cândido, proprietário do caminhão causador do acidente, faleceu o motorista do ônibus, Joaquim Gomes do Rego, mais conhecido pela alcunha de Quincas Rego (natural de Barras-PI).

As demais vítimas identificadas foram: Adalberto Lopes Camelo, Anísio Pereira da Silva, Antônio Oséas Pereira, Eliezer Guilherme de Oliveira, Francisco Nery Batista da Silva, Francisco Vieira Gomes (Chico Fumaça), Gladson Coelho de Araújo, Joaquim Canuto de Melo (Prefeito de Piripiri-PI, que estava em seu segundo mandato), João Batista Specht, João Pedro, João Porfírio Saldanha Fontenele, José Carlos Nascimento (04 anos de idade), José Ribamar Dias, Julita Carvalho, Kleber Meireles do Nascimento, Leônidas Furtado Mourão, Luís Soares, Luiz Valamiro (?), Manoel Fernandes Alvarenga, Marcela Meireles, Maria de Sousa Machado, Maria Ilka Campos, Maria Meireles do Nascimento, Maria Nazaré Meireles, Pedro Flor da Silva e Raimundo Nonato Lages.

Quanto à família que teve seu fim no desventurado choque automobilístico, trata-se da morte de Maria Meireles do Nascimento e de seus três filhos: Kleber Meireles do Nascimento, com menos de sete anos, Marcela Meireles e Maria Nazaré Meireles, de 06 meses de idade. O sobrevivente foi o senhor Bernardo Nascimento, chefe da família, que escapou com vários ferimentos.

João Porfírio Saldanha Fontenele, uma das vítimas fatais era chefe da Agência Postal de Altos e tio da miss Piauí 1957 Chloris Maria Guimarães Fontenele, representando a cidade de Parnaíba.

Era prefeito de Altos na época o Dr. José Gil Barbosa (1918-2013), que tomou todas as providências necessárias para a remoção dos corpos para o Centro de Saúde de Altos (antigo Posto de Saúde São José), onde hoje está edificado o Fórum Desembargador Odorico Rosa. O corpo do Prefeito de Piripiri foi velado na Prefeitura de Altos. Os demais corpos foram levados, por parentes, para as suas respectivas cidades e os mortos de Altos foram enterrados no Cemitério local.

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O PREFEITO ALTOENSE GIL BARBOSA COMANDOU INCANSAVELMENTE O AUXÍLIO AOS SOBREVIVENTES. FONTE: http://www.meionorte.com/cidades/pi/altos/morre-jose-gil-barbosa-ex-prefeito-de-altos-249896

No nosso entender, levando as considerações das devidas proporções referentes a época, circulação de veículos, quantidade de veículos, talvez este tenha sido o mais trágico acidente da história rodoviária do brasil.

Um ponto que se deve ter em estranheza é que muitos sites citam os grandes desastres rodoviários do Brasil, omitindo o da Marimbá. 

Em 21 de fevereiro de 2004 um ônibus da Viação Itapemirim que viajava de Fortaleza para Salvador caiu em um açude próximo à cidade de Barro (Ceará) matando todos os seus 46 ocupantes. A vedação das janelas para garantir o isolamento térmico do ar-condicionado dificultou a saída dos passageiros. Este foi o maior acidente com ônibus rodoviário no Brasil até hoje em números absolutos de vítimas. 

O segundo maior acidente rodoviário do Brasil teria ocorrido com um violento choque entre um ônibus repleto de cortadores de cana-de-açúcar e dois caminhões, na BR-316 no interior da Bahia (em 03/dez./2011) culminando em 34 mortos, um a mais do que o da Marimbá. 

O site Wikipédia cita desastres rodoviários com morte de 07,13 e 14 mortos, mas não cita o da Marimbá. Em nossa opinião isso decorre por ser uma tragédia antiga, ocorrida em local pouco conhecido, o que causou a ausência nos registros. Porém, se levarmos em conta que a circulação de veículos na antiga BR-22 era tão restrita que tornava quase improvável uma tragédia, podemos citar a colisão de Altos como (em termos relativos) a maior tragédia rodoviária do Brasil de todos os tempos. Era 1957! Quantos veículos circulavam na BR-22 por dia naqueles tempos? Devemos lembrar que estes dois outros acidentes citados acima ocorreram modernamente e em locais de grande fluxo de veículos, o que amplia sobremaneira as chances de um sinistro.

O local exato do desastre insere-se entre a Chácara Padre Cícero e uma cooperativa de fruticultura. Ali foi erigido um monumento com o nome de algumas vítimas e muitas cruzes. O local está toda a época do ano repleto de flores e velas. Para ali acorrem muitas pessoas para fazerem suas promessas e orações pelos mortos. Afinal o trágico acidente consternou toda a sociedade altoense, município com o maior número de mortos, ficando indelevelmente marcado em sua memória.

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MONUMENTO EM HOMENAGEM AOS MORTOS NA TRAGÉDIA DE 1957.

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OUTRA TOMADA DO MONUMENTO ÀS MARGENS DA BR-343.

A placa no monumento cita algumas vítimas fatais. Está gravado:

Homenagem de saudade aos viajantes comerciais tragicamente falecidos no desastre de 13 de julho de 1957. 

João Saldanha Fontenele

Gladson Coelho de Araújo

Eliezer G. de Oliveira

Leônidas Furtado Mourão

João Batista Specht 

Francisco Nery. 

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DETALHE DOS NOMES QUE CONSTAM NO MONUMENTO ÀS VÍTIMAS.

Segundo o prof. Carlos Dias, sobreviveram dois passageiros do caminhão, ambos já falecidos: um jovem, de nome José Joaquim Lima, conhecido como Zé Gago, e outro, cujo nome era Manoel. Este, segundo depoimento de Zé Gago, era natural de Altos e ficou todo aleijado do acidente; vivia a pedir esmolas na porta da agência do Banco do Brasil, em Teresina, onde faleceu há algum tempo. Zé Gago era ajudante de José Cândido nas viagens. Ao subir no caminhão, resolveu sentar-se na parte traseira da carroceria. Conforme depoimento prestado ao prof. Carlos Dias em 06 de outubro de 2003, ele declarou o seguinte:

Só vi alguma coisa do Caranguejo até o Buritizinho. Na hora da batida, fui lançado fora, caindo no mato desacordado. Meu pé direito virou para trás e fiquei todo cortado. Quando me acharam, fui levado para o Hospital Getúlio Vargas, em Teresina, onde fiquei 22 dias internado, de 13 de julho até 04 de agosto de 1957. Eu tinha na época 23 anos e 11 meses.

Afirma ainda que muitas pessoas acorriam ao HGV para visitar as vítimas, oferecendo conforto espiritual e ajuda material. Na entrevista concedida ao professor, disse mais que foi muito bem servido de doações. 

Era pra eu ser rico, pois recebi muita doação em dinheiro; uns davam 5 mil réis, outros davam 10 mil réis, outros vinte... O dinheiro que restou deu pra comprar meio saco de açúcar, que custava 10 mil réis. O resto foi roubado não sei por quem.

Na época do desastre, Zé Gago contava pouco menos de 24 anos, era solteiro e morava no bairro Bacurizeiro, em Altos, onde nasceu no dia 16 de agosto de 1933. Eram seus pais Joaquim Ferreira Lima e Maria Ferreira Lima. Foi criado por seu padrinho, o fazendeiro e proprietário rural José Cleto de Sousa, residindo na casa do mesmo, que era proprietário da Fazenda Formosa, em Altos.

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TESTEMUNHOS DA FÉ E DEVOÇÃO DOS QUE VISITAM O MONUMENTO.

Os inúmeros restos de velas, flores e garrafas com água na base do monumento às vítimas, colocados por incontáveis visitantes durante o ano inteiro desde 1957 demonstra a religiosidade e o trauma causado por aquele horrível acidente. 

Fontes:

Dias, C. www.portalaltos.com.br/novo/?pg=not%EDcia&id=4311. Matéria publicada em 13/07/2012.

Eugênio, C. Acidente da Marimbá: Hoje faz 54 anos que dezenas de pessoas morreram na tragédia. In http://180graus.com/altos/acidente-da-marimba-hoje-faz-54-anos-que-dezenas-de-pessoas-morreram-na-tragedia-440307.html.

Jornal do Piauí (de Teresina). Ainda o acidente do Marimbá. Edição de 18 de julho de 1957.

Maurício, P. A tremenda catástrofe de sábado último..., Jornal O Dia  (Teresina-PI), de 18.07.1957. 

 
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