Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /storage/ssd4/909/1073909/public_html/libraries/joomla/log/entry.php:1) in /storage/ssd4/909/1073909/public_html/libraries/joomla/session/session.php on line 531

Warning: session_start(): Cannot send session cache limiter - headers already sent (output started at /storage/ssd4/909/1073909/public_html/libraries/joomla/log/entry.php:1) in /storage/ssd4/909/1073909/public_html/libraries/joomla/session/session.php on line 531
1926: A maior enchente da história de Teresina?

1926: A maior enchente da história de Teresina?

Localizada na confluência dos rios Poti e Parnaíba, Teresina sempre esteve sujeira a fortíssimas enchentes no período de verão. Fica difícil definir realmente qual foi a maior enchente já ocorrida na Capital. Contribui para esta indefinição dois fatores: primeiro, os registros só são mais precisos após a mudança da Capital para o atual local, em 1852; em segundo lugar, como a história é o registro das atividades humanas, e o ser humano é o foco dela, uma cheia volumetricamente imensa há 100-150 anos seria menos impactante do que uma ocorrida recentemente, em decorrência do acentuado processo de urbanização.

 in1.jpg - 24.73 KB

CONFLUÊNCIA DOS RIOS POTI (ÁGUAS ESCURAS) COM O PARNAÍBA (ÁGUAS MAIS CLARAS). FONTE: http://teresinaecologica.blogspot.com.br

 Dizem que no período pré-Teresina houve uma enchente gigantesca, por volta de 1842, não no local central atual da urbe, que ainda não existia, mas na Vila do Poti, atual bairro do Poti Velho. Com a construção da Barragem de Boa esperança no final dos anos 1960, a sequência de enchentes parecia haver diminuído. Porém, com o contínuo assoreamento do rio Parnaíba, seu leito tornou-se mais seco e consequentemente, extravasa com muita facilidade. Além do que não há represamento para o rio Poti. E as enchentes no bairro Poti Velho, onde o rio deságua no Parnaíba, também são frequentes.

O historiador Monsenhor Chaves (1913-2007) escreveu as consequências do transbordamento dos rios, no distante ano de 1842. Sem dúvida, 1842 é uma data bastante emblemática, porque a Barra do Poti - como se chamava a região do atual Poti Velho - era habitada por um “grande aglomerado de canoeiros e plantadores de fumo e mandioca”. Em 1797, com sua expansão, os habitantes, em homenagem a Nossa Senhora do Amparo, construíram uma capela para a padroeira do Poti. Em 1827, criou-se a freguesia com o nome de Barra do Poti que, em 6 de julho de 1832, foi elevada à categoria de Vila. Porém, devido às rigorosas enchentes de 1842, que levaram à submersão e destruição de casas, perda das lavouras, bem como à disseminação de várias doenças (febres) e mortes, o Governo Central, pela Lei nº. 140, de 29 de novembro de 1842, autorizou que se transferisse a Vila para outra região mais apropriada, cujo nome passaria a ser Vila Nova do Poti. Assim, no recanto agreste da chapada do corisco, conhecida assim por causa das frequentes quedas de faíscas elétricas, foi erguida nossa atual capital.

Em 1924 houve uma grande enchente, que trouxe graves prejuízos ao Estado, segundo a mensagem lida a 1º de junho de 1927, perante a Câmara Legislativa do estado do Piauí pelo Governador Matias Olímpio de Melo (1882-1967) assegurava que a  tragédia de 1924 (véspera do início de seu Governo) foi até menos devastadora do que a de 1926 em seu governo.:

Mal saídos da refrega que, convulsionando o Piauí, trouxe em resultado uma série de prejuízos de toda sorte, com o decréscimo das rendas, fortemente acentuado, sobreveio a enchente do rio Parnaíba e do Poti, ocasionando novos e terríveis malefícios à população já esgotada e ao Estado, tão fundamente atingido no seu aparelho econômico-financeiro.

Matias Olímpio manifestou também sua preocupação com o impacto negativo das enchentes na usina elevatória de águas que abastecia parte de Teresina, situada ás margens do Rio Parnaíba:

Já uma vez tive de falar da conveniência de defender o prédio das usinas contra a invasão das águas do Parnaíba, por ocasião das grandes cheias, como tem acontecido nos últimos invernos, lembrando, então a  necessidade de, sem demora, serem atacadas as obras de proteção das margens do rio, reservada, em cada exercício, verba especial para isso. Os prejuízos causados pela inundação de 1924 foram enormes. Subiram, porém, de vulto ultimamente (1926), quando o nível das águas de mais de um metro excedeu ao plano atingido naquele ano, e, de mais de noventa centímetros, ultrapassou o piso central de eletricidade, só a muito custo e esforço defendida.

 in1a.jpg - 39.20 KB
A USINA ELEVATÓRIA DE ÁGUAS FOI DRASTICAMENTE ATINGIDA COM AS CHEIAS DE 1924 E 1926. REPRODUÇÃO.

 in1b.jpg - 30.35 KB
MATIAS OLÍMPIO DE MELO. UM GOVERNADOR ENÉRGICO E DE DECISÕES.FONTE: APL.

Voltando a comparar as duas cheias (1924 e 1926) comenta Matias Olímpio:

Já a grande cheia de 1924 excedera em proporções maior que a nossa tradição registrava. Pois a de 1926 exorbitou daquela, no volume e nas consequências. Belém (hoje Palmeirais) ficou, de todo, sobre as águas, como Uruçuí, Amarante, Teresina e outras localidades marginais tiveram grande parte de suas casas tomadas ou destruídas.

Essa calamidade nova (1926) causou maior desequilíbrio ainda à arrecadação estadual. 

Lutamos, em 1926, com as dificuldades já apontadas, de caráter geral. Logo no princípio do ano, vieram as inundações, ficando paralisados por alguns dias dos meses de março e abril, o funcionamento da usina elevatória. Passadas as grandes cheias, houve necessidade de reparar, por completo a casa de máquinas, muito danificada, em algumas partes, e noutras, em ruínas. As fornalhas abateram, e os poços de aspiração, com um grande depósito de argila, que impedia a sucção das bombas, tiveram de ser esgotado e limpo. 

Durante o verão, a formação de bancos de areia, no ponto de tomada de água, criou sérios embaraços ao serviço, determinando não pequenas despesas.

A enchente de 1926 foi realmente catastrófica.  Teria sido não só a mais volumosa, mas também a mais rápida no transbordo e também na brevidade, durando apenas 72 horas. 

 in2.jpg - 18.80 KB
OBSERVEM A IMAGEM ANTIGA DA FÁBRICA DE TECIDOS ALI DO CRUZAMENTO DA JOÃO CABRAL COM DES. FREITAS, BEM ANTES DA ENCHENTE DE 1926. REPRODUÇÃO

Segundo Zózimo Tavares as águas do rio Parnaíba tomaram o grotão (hoje Av. José dos Santos e Silva) e entraram aproximadamente 500 metros ruas adentro, chegando até a atual Rua Barroso. Muitas casas foram destruídas e parte do comércio ficou alagada. Grande parte das residências e do comércio se aglutinava nas proximidades do rio.

 in3.jpg - 37.75 KB
O MESMO TRECHO DURANTE A CÉLEBRE INUNDAÇÃO. A MOLECADA SE DIVERTIA BANHANDO EM PLENA RUA. ACERVO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO.

 in4.jpg - 21.96 KB
MESMA IMAGEM HOJE, CRUZAMENTO DES. FREITAS COM JOÃO CABRAL, A UNS 140 m DO LEITO NORMAL DO RIO. FONTE: GOOGLE MAPAS.

Até a Rua Senador Teodoro Pacheco, artéria central da cidade, com suas badaladas lojas e residências ficou inundada em 1926, como se vê na imagem pouco nítida abaixo.

 in4a.jpg - 35.90 KB
TRECHO DA SE. TEODORO PACHECO INUNDADA. FONTE: ANNUARIO ESTATISTICO DO PIAUHY, 1926, 1º ANO, IMPRENSA OFICIAL.

O fato de atualmente a Barragem de Boa Esperança represar e regular grande volume de águas do rio Parnaíba não evitou futuras inundações. Como dissemos, não só o assoreamento contribui para reduzir a profundidade do leito do rio, mas também, ocasionalmente, durante o período excessivamente chuvoso, a barragem libera imensas quantidades de águas. E ainda a questão do rio Poti é delicada. Situado em nível topográfico inferior ao do rio Parnaíba, durante o período de cheias, suas águas ficam momentaneamente impedidas de desaguar no rio principal, contribuindo para as inundações no bairro Poti Velho.

Em tempos mais recentes também a Capital do Piauí tem vivenciado fortíssimas inundações, mesmo depois daquela de 1926, como em 1960, 1974, 1985, 1995 e 2009.

Vem à nossa memória que ao andarmos ali pelos comércios da Avenida Maranhão nos anos 1960, observávamos com curiosidade que os comércios voltados para o rio possuíam uma mureta em suas portas, com cerca de 30 centímetros, prevenção contra enxurrada no comércio. Para adentrarmos o estabelecimento era necessário levantarmos bastante a perna.

Segundo Zózimo Tavares, para prevenir contra as enchentes, o governo estadual construiu na zona norte, a parte mais baixa da Capital, um dique de proteção contra as enchentes com mais de 5 km. Mas o dique, denominado Avenida Boa Esperança e apoiado por um sistema de bombeamento de 17 lagoas existentes na área, não foi suficiente para impedir a inundação de dezenas de bairros na inundação de 1985.

Com efeito, em maio de 1985, Teresina presenciou outra das devastadoras enchentes de sua História. Em maio daquele ano, o rio que transbordou foi o Parnaíba, ao invés do Poti, alagando a Avenida Maranhão e ruas do Centro da capital piauiense.

As fotos abaixo são de Valmira Cabral, que dirige o Museu do Vaqueiro no município de Alto Longá. Em 1985, ela trabalhava na Companhia Energética do Piauí, CEPISA (hoje ELETROBRAS) e registrou do alto do prédio na Avenida Maranhão os estragos no Centro de Teresina.

 in5.jpg - 15.61 KB
IMAGEM DO RIO E DA AVENIDA MARANHÃO, SE CONFUNDINDO NUM SÓ ESPELHO DE ÁGUA. FOTO: VALMIRA CABRAL.

 in6.jpg - 18.20 KB
TOMADA FOTOGRÁFICA A PARTIR DO PRÉDIO DA ANTIGA CEPISA, HOJE ELETROBRÁS, MOSTRANDO A INUNDAÇÃO DE 1985. FOTO: VALMIRA CABRAL.

Bem mais recentemente, no início de maio de 2009, outra inundação castigou Teresina, naquilo que alguns consideraram a pior enchente do rio Parnaíba. Cenas jamais vistas foram registradas e acompanhadas pela população, atônita. 

As enchentes foram ocasionadas, além da época de chuvas, pela abertura das comportas da barragem de Boa Esperança. Teresina  viu trechos serem interditados, como Balão que liga à ponte Wall Ferral (Avenida Cajuína-zona Leste), balão que liga ao Shopping Riverside e EuroBusiness (avenida Raul Lopes-zona Leste), parte da avenida Marechal Castelo Branco (por baixo da ponte JK), Estrada da Alegria (zona Sul), parte da avenida Freitas Neto, no Mocambinho (zona Norte) e balão da avenida Miguel Rosa, nas proximidade do Piauí Center Moda (zona Sul).

Foi um caos só. O então prefeito Silvio Mendes teve que decretar estado de calamidade. Quase toda  a idade esteve debaixo d'água. Todas as regiões, Centro e zonas Sul, Sudeste, Leste e Norte, enfrentaram o drama das enchentes. 

Confiram algumas imagens da cheia de 2009

 in7.jpg - 14.53 KB
PROXIMIDADES DA AVENIDA MARANHÃO. FONTE http://www.atendanarocha.com/2009/05/enchente-em-teresina.html

 in8a.jpg - 29.20 KB
MARGENS DO RIO POTI. FONTE: http://www.atendanarocha.com/2009/05/enchente-em-teresina.html

 in9.jpg - 29.78 KB
ESTE TRECHO DA ZONA LESTE PRÓXIMO AO RIO POTI, CONSTANTEMENTE SOFRE COM INUNDAÇÕES. FONTE: http://gilbertolimajornalista.blogspot.com.br/2009/05/enchentes-deixam-parte-de-teresina.html

Fontes:

Leando, Antônio. Calamidades históricas. Texto publicado no Jornal Meio Norte. Teresina, 09 de abril de 2008, in https://sites.google.com/site/superapiauicom/inicio/antonio-leandro---artigos-1/calamidades

Tavares, Zózimo. 100 fatos do Piauí no século XX. Teresina, 2001.

http://180graus.com/noticias/teresina-viveu-um-drama-reveja-a-pior-enchente-da-historia-fotos-197962.html

http://gilbertolimajornalista.blogspot.com.br/2009/05/enchentes-deixam-parte-de-teresina.html

Enchente em 1985 alagou a avenida Maranhão. Portal Cidade Verde, 10/05/09. http://www.cidadeverde.com/enchente-em-1985-alagou-a-avenida-maranhaao-veja-fotos-37453

Mensagem lida a 1º de junho de 1927, perante a Câmara Legislativa do estado do Piauí, pelo governador Exm. Snr. De. Mathias Olympio de Mello.

 

 

www.000webhost.com