Enigmáticos visitantes do Piauí pré-histórico

Além dos tradicionais nativos brasílicos, povos exóticos devem ter participado da pré-história piauiense. Trabalhos não convencionais e independentes, escritos principalmente ao longo dos séculos XIX e XX, procuraram demonstrar a existência de vínculos do nosso antigo Piauí com outros povos distantes, hoje quase esquecidos.

Afinal, a nossa antiguidade pré-cabralina desenvolveu-se exatamente como rezam os intragáveis manuais catedráticos de arqueologia ou aconteceram fatos totalmente inusitados no cotidiano de nossos primitivos habitantes? Eles travaram contato com povos estrangeiros, povos de outros continentes ou até de outros mundos? É o que pensam alguns autores.

Ludwig Schwennhagen (1870-1932), um professor austríaco que viveu no Piauí entre 1925 e 1929, foi o primeiro a mergulhar com afinco na possibilidade da existência de contatos de povos do Mundo Antigo com o nosso Piauí pré-histórico. E o principal destes povos seria o de intrépidos navegantes e comerciantes fenícios. Na opinião do pesquisador, as afamadas Sete Cidades do Piauí teriam sido a sede de um congresso tupi-fenício, centro da administração de um complexo sistema de explorações comerciais e minerais no nosso território e parte do Ceará.

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 UMA DAS “MURALHAS” DE SETE CIDADES, CENTRO RELIGIOSO DE FENÍCIOS.

No seu extraordinário livro “Antiga História do Brasil”, de 1928, estão relacionados inúmeros vestígios da presença fenícia no Piauí, tais como: o Subterrâneo de Alto Alegre (Município de São João da Fronteira);uma suposta estação de apoio ou albergaria, a famosa  Pedra do Castelo (município de Castelo do Piauí); os dólmens do Bosque da Guarita ( município de Bom Princípio do Piauí); a Pedra do Globo, na praia da Pedra do Sal (município de Parnaíba); restos de antigos estaleiros no rio Parnaíba ( município de Buriti dos Lopes), etc.

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 PÁGINA PRINCIPAL DO LIVRO “ANTIGA HISTÓRIA DO BRASIL”

O próprio nome Piauí seria, na opinião de Schwennhagen, derivado de Terra dos Piagas (Piaguhy) e não do rio dos Piaus, uma interpretação filológica, sem dúvida, mais coerente do que a tradicional.

Também os nossos caboclos louros, os conhecidos “fogoiós”, seriam descendentes de povos navegantes do Velho Mundo, segundo o austríaco.

Depois de Schwennhagen, foi a vez do suíço Erich Von Däniken (n. 1935), famoso por apregoar a presença de extraterrestres em eras passados no nosso planeta. O ufólogo visitou o Piauí em 1972, onde colheu algum material para seu livro “Semeadura e Cosmo” (1973). Neste trabalho, Von Däniken expõe suas ideias sobre Sete Cidades, que lhe pareceu ter sofrido uma espécie de “bombardeio nuclear” de naves alienígenas, que teriam fundido violentamente muitas de suas rochas.

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CAPA DO LIVRO "SEMEADURA E COSMO", DE VON DÄNIKEN.

Nas pinturas rupestres do Parque Nacional de Sete Cidades estaria registrado o saber extraterrestre comunicado aos nossos nativos, na forma de “estações orbitais, uniformes espaciais, naves” e até uma clássica representação do “DNA”, o ácido da vida...

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 A PEDRA DA INSCRIÇÃO, COM A REPRESENTAÇÃO DO “DNA”, SEGUNDO VON DANIKEN.

Em 1974 o franco-germânico Jacques Marie de Mahieu (1914 -1990), antigo diretor do Instituto del Hombre, de Buenos Aires, esteve no Piauí, à procura de subsídios para suas teorias. Reproduziu fielmente o trabalho de Schwennhagen, trocando, porém, fenícios por nórdicos vikings. Com o auxílio de supostos especialistas em antigas escritas escandinavas, de Mahieu “traduziu” praticamente toda a cenografia parietal de Sete Cidades, que na opinião deles fora executada por vikings...

Segundo o francês expôs em seu livro “Os Vikings no Brasil” (1976), os escandinavos criaram um vasto império no Brasil pré-cabralino por volta do ano 1.000 de nossa era, E as Sete Cidades teriam sido um importante centro de culto a Odim, o supremo deus viking. Como o fez Schwennhagen muito antes, de Mahieu também acredita na existência de uma antiga população branca no Piauí pré-histórico, que para ele seria resultado de miscigenação de vikings com nossos indígenas...

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 CAPA DO LIVRO “OS VIKINGS NO BRASIL”. 

Para o historiador carioca Antônio Leite Pessoa, os árabes islamizados e estabelecidos na Península Ibérica (Portugal e Espanha) foram os grandes desbravadores do Brasil antigo e, inclusive do nosso território piauiense. E isso muito antes da “descoberta” oficial de nosso território por parte de qualquer europeu moderno. É o que o autor defende nos seus livros “História da Civilização da Arábia e do Brasil desde a Idade Média” (1983) e “A Origem da Palavra Brasil” (1974), ambos polêmicos, mas que requerem uma atenção especial em certos detalhes e passagens.

O ilustre pesquisador italiano Gabriele D’Annunzio Baraldi (1932-2002), já conhecido por seus profundos estudos na Pedra do Ingá, na Paraíba, emitiu também uma ousada teoria a respeito de Sete Cidades. Para ele, restos do continente Atlante podem estar soterrados sob esta bela e escaldante região no sertão piauiense. Sua tese está fundamentada em estudos que ele teria feito num mapa gravado numa das pedras que fazem parte da coleção do Dr. Javier Cabrera (1924-2001) em Ocucaje, próximo a Ica, no Peru.

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 UMA DAS POLÊMICAS PEDRAS DE ICA. REPRODUÇÃO.

Sem excluir a provável visita de povos estrangeiros ao Piauí pré-cabralino, acreditamos que três outros povos em épocas distintas, mas oriundos de regiões próximas entre si, navegaram até o Brasil, chegando até o nosso Estado.

O mais antigo desses povos é o da cultura megalítica, que navegou de alguma região do norte e ocidente da Europa ao nosso Brasil, muito antes de 10.000 A.C. Conhecidos pelos enormes monumentos de pedras toscas ou desbastadas que erigiam, dispunham de impressionantes conhecimentos astronômicos e de navegação, para nós até hoje, cientificamente inexplicáveis. Estas estruturas eram os dólmens menires, cromlechs, logans, etc. Praticamente tudo sobre eles é mistério. No Brasil e no Piauí deixaram além de ciclópicos monumentos de pedra eretos, preciosas inscrições rupestres, onde estavam implícitos seus conhecimentos astronômicos e antigas formas de escrita.

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 DÓLMEN NA ZONA RURAL DE SOLÂNEA, PARAÍBA.

O segundo povo que conturbou a lógica de nosso povoamento pré-histórico foi, na verdade, formado por uma aliança militar de nações conhecidas na história antiga como “povos do mar”. Arrasaram militarmente as civilizações mediterrâneas por volta de 1.250 A.C. até serem derrotados pelos egípcios. Era um conjunto formado por povos ibéricos, nórdicos e mediterrâneos. Sua navegação ao Brasil deu-se em torno de 1250 A.C.

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AFRESCO DO ANTIGO EGITO DO TEMPLO DE MEDINET HABU MOSTRANDO A BATALHA NAVAL ENTRE OS EGÍPCIOS E OS POVOS DO MAR (REPRODUÇÃO). 

O terceiro e mais recente povo estrangeiro que navegou até o nosso território era composto por irlandeses, sob o comando de sacerdotes culdees (latim: cultores de Deus), que ficaram conhecidos no Brasil pré-histórico como a personificação do semideus Sumé. A visitação dos irlandeses a várias partes do Brasil, inclusive ao Piauí, deu-se por volta do ano 1.000 de nossa era. Pregaram o cristianismo de norte a sul das três porções da América, ficando conhecidos entre nós como Sumé (Brasil), Pay Zumé (Paraguai), Viracocha (Peru), Tonapa (Peru), Kukulkan (Guatemala), etc.

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 CRUZ DE PEDRA RICAMENTE DECORADA DE ORIGEM CULDEE, ILHAS BRITÂNICAS. REPRODUÇÃO.

Esquecidas e relegadas a meras especulações, as teorias sobre a presença de povos estrangeiros no Piauí pré-histórico precisa sair do marasmo em que se encontram e ser analisadas sob uma visão independente. Somente assim poderemos saber um pouco sobre a nossa verdadeira pré-história. 

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